Obras de melhoria da rede de distribuição da energia começam na Região Sudoeste

sexta-feira, 16 de outubro de 2020 | Paraná

Há 37 anos era impensável que o Paraná seria uma potência no setor do agronegócio e transformação de matérias-primas do setor primário. Hoje, o Paraná conta com mais de 30 frigoríficos de aves, dezenas de laticínios, indústrias de óleo de soja, rações, grandes moinhos de trigo e sucos. Isso se deve à instalação da energia elétrica nas propriedades rurais. Um novo programa, agora, está fortalecendo a chegada da luz nas propriedades do interior.

 

Em 1983, a energia elétrica só chegava ao interior praticamente através das cooperativas de eletrificação. O governo José Richa (1983-1986) iniciou o programa Clic Rural que levou a rede de distribuição para, praticamente, todas as propriedades rurais. O programa, que era subsidiado, foi tão bom que continuou nos governos de Álvaro Dias (1987-1990) e Roberto Requião (1991-1994).

 

Expansão no Sudoeste

Com a expansão da produção nas granjas de frangos, suínos, perus e a pecuária leiteira em milhares de propriedades começou a aparecer um problema que se repetiu e ampliou nos últimos dez anos. A rede é monofásica, ou seja, não suporta a grande carga de demanda das propriedades rurais. Com isso, passaram a ocorrer quedas constantes no fornecimento de luz no interior. Avicultores passaram a perder lotes ou parte de lotes de frangos, produtores de leite também perdiam o leite armazenado em tanques.

 

E começou pelo Sudoeste do Paraná um movimento de lideranças do setor rural, deputados e prefeitos para que a Copel solucionasse este problema. Depois de muitas discussões, audiências e alertas ao governo estadual e à Copel foi anunciada uma solução. O governo Carlos Massa Ratinho Júnior anunciou a implantação do Paraná Trifásico.

 

Seis mil quilômetros

Até 2025, o Programa Paraná Trifásico prevê a construção de mais de seis mil quilômetros de rede trifásica na Região Sudoeste e 25 mil quilômetros no Estado todo. Neste primeiro ano a Copel pretende executar aproximadamente 10% do programa, principalmente, no planejamento e projetos das obras.

 

Atualmente, toda a força de trabalho contratada está sendo utilizada no programa, que, direta ou indiretamente, deve beneficiar toda a cadeia produtiva do agronegócio.

 

Frentes de trabalhos de empresas terceirizadas, contratadas pela Copel, estão fazendo os serviços do Programa Paraná Trifásico nos municípios de Francisco Beltrão, Verê, Nova Esperança do Sudoeste e Flor da Serra do Sul. O estágio das obras varia de município para município.

 

Marcus Vinícius, gerente regional da Copel, observa que uma obra, em um município, eventualmente, pode atender clientes de outros dois a três municípios. Mas ele garante que as obras estão chegando na maioria dos municípios da região.

 

O Paraná Trifásico é um tipo de rede diferente, suporta mais potência, melhora a qualidade da energia distribuída por ser maior. “Dá maior confiabilidade”, destaca Marcus Vinícius.

Vivioeste

O investimento é da Copel e prevê a melhoria de troncos, em instalações e redes. Não haverá cobrança das unidades consumidoras beneficiadas. Marcus Vinícius destaca que “o Sudoeste vai ser fortemente contemplado por este programa”.

 

A empresa Vivioeste, de Francisco Beltrão, foi uma das empresas que realizaram serviços para a Copel no município de Nova Esperança do Sudoeste. Foram instalados dez quilômetros de rede.

Depois de instaladas as novas redes trifásicas os produtores terão de investir na melhoria das suas redes da propriedade até os postes da Copel.

 

Claudinei Colognese, da comunidade de Nova Concórdia, em Beltrão, preside a Associação de Avicultores do Sudoeste (Avisud), e está construindo um novo aviário. Com a demora da instalação da nova rede trifásica, ele não sabe se colocará a rede monofásica ou trifásica no novo aviário. “Demorou para acontecer o programa, mas aconteceu. Vai melhorar bastante a nossa energia no interior”, aposta.

 

Jaimir Colognese, produtor rural da Linha Pitangueira e presidente do Sindicato Rural de Verê, diz que é um sonho a concretização deste investimento. “Isso vai dar um novo impulso para o Paraná, que já é um dos estados que mais produz no Brasil, graças a Deus. Nós avançamos muito com esse Clic Rural, que foi feito no passado, mas hoje a gente sofre muito com essa questão da falta da energia. Acho que, logicamente, todo o produtor rural que mexe com gado de leite e com avicultura, o pessoal já está comprando gerador para buscar melhorar esta questão, por causa da falta de energia; porque é uma calamidade. Eu vejo, na minha região, no Verê, é trágico essa falta de energia, e eu acredito que com essa melhoria vai acabar, ou se não acabar, vai melhorar bastante. Com certeza é um grande projeto do governo do Estado fazer isso aí”, destaca.

 

Sidiclei Risso, presidente da Associação dos Produtores de Leite (Aproleite) e produtor rural no KM 15, em Marmeleiro, também avalia que o Programa Paraná Trifásico será benéfico. “Ele vem atender uma demanda que está sendo fortemente solicitada há algum tempo por dois motivos: primeiro porque a energia que chega nas propriedades, hoje, ela não é constante, ela oscila muito, tem uma alteração durante o dia, então ela acaba danificando ou queimando muito os equipamentos por essa variação de voltagem. Além disso, tem muitas quedas de energia”, destaca.



Fonte: JORNAL DE BELTRÃO | FOTO: JOSÉ FERNANDO OGURA / AEN

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